Por que candidatos desistem da vaga na hora da proposta? Como evitar esse constrangimento com seu cliente interno.

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Já aconteceu com você em um processo seletivo que ocorreu dentro da normalidade, tendo os envolvidos com grandes expectativas, entrevistas e testes produtivos, mas na última hora o candidato desistir da vaga?

Infelizmente, isso acontece, e como consequência gera um constrangimento para o responsável pelo processo seletivo perante os clientes internos. Afinal, conduzir um processo de seleção de colaboradores qualificados exige uma série de etapas que consomem tempo, dedicação, esforço e dinheiro, e uma vez que todos esses recursos foram investidos, ter uma desistência no final deixa sempre uma percepção de ineficiência.    

Contudo, existem algumas ações que podem ser tomadas para evitar esse problema de desistência da vaga, e consequente constrangimento com o cliente interno. Saber identificá-las, e lidar com elas de maneira adequada, é fundamental para maximizar o trabalho da equipe de Talent Acquisition, quando o objetivo é realizar contratações acertadas.

“Um ponto crucial durante a condução do processo seletivo é a criação de um vínculo relacional genuíno entre o recrutador e o candidato. É fundamental fazer o candidato refletir sobre sua carreira, e se a nova oportunidade realmente condiz com seus objetivos futuros. Estudar a trajetória profissional do candidato e conduzi-lo a entender os pontos favoráveis e desfavoráveis da mudança de empresa, ajuda – e muito – nessa ponderação. O processo precisa ser uma negociação de ganha-ganha. E a preocupação central do recrutador não pode ser fechar a vaga com euforia e celeridade, e sim encontrar o encaixe ideal entre ganhos para a carreira do candidato, e ganhos para empresa em contratá-lo. O candidato e o recrutador precisam construir essa lógica juntos durante o processo, e não esperar para refletir sobre isso apenas no momento da proposta. Muitas empresas ainda conduzem todo o processo seletivo em formato de monólogo, sendo que o diálogo é o elemento fundamental da construção de relacionamento interpessoal.”, conscientiza Maurício Spiandorello, Executive Director at Foursales. 

O recrutador que se preocupa em se conectar com o candidato de maneira humanizada, com o intuito de criar um laço afetivo, proporciona um maior envolvimento do profissional com o processo e consegue evitar muito mais as desistências e as expectativas frustradas. 

Essa importância sobre o vínculo emocional construído logo no início do processo pode ser o fator número um para evitar a desistência. “Quando o candidato compreende que o recrutador está buscando o melhor profissional e que ele também está preocupado com as vantagens que o candidato terá no novo cargo, a conversa muda. Não se pode mais trabalhar com o pensamento de que ‘todos querem trabalhar na sua empresa’, o objetivo deve ser o de encontrar o profissional que agregará valor para a organização, mas que também terá vantagens para sua carreira.”, reforça Eduardo Nogueira, Senior Partner & CS Manager at Foursales.

Em função dos diferentes modelos de trabalho que vêm sendo oferecidos pelas vagas (home office, presencial…), dos diferentes pacotes de benefícios, e da preocupação dos candidatos com a cultura e propósito das empresas, a forma de apresentar as vagas para os candidatos mudou: “Para que o desperdício de tempo do processo seja evitado, é fundamental que as ‘regras do jogo’ sejam especificadas logo no início. Percebemos um grande interesse dos candidatos por vagas remotas ou híbridas, contudo nem todas empresas podem oferecer essa flexibilidade, sendo assim, é primordial que essas informações fiquem claras para o candidato desde o começo, evitando que ele siga até a etapa final do processo e acabe desistindo por um desses motivos.”, explica Pedro Zanol, Senior Partner & CSM at Foursales. 

Em se tratando de desperdício de tempo, outro fator extremamente relevante é de que o processo seletivo tenha agilidade. É preciso ter uma metodologia e um cronograma bem definidos e que sejam seguidos por todos os envolvidos. Quando há demora em realizar as etapas, corre-se o risco de perder o candidato para a concorrência, assim como o candidato perceber como falta de organização ou de interesse da empresa e repensar a decisão. “Feedbacks constantes, transparência e explicação de todas as etapas, deixam os candidatos mais seguros”, exemplifica Zanol. 

“É o papel do recrutador analisar juntamente com o candidato os prós e contras da vaga a ser preenchida, principalmente, se faz sentido para a carreira do candidato. Olhar para o aspecto de remuneração, de cultura, de dinâmica de trabalho, de desafios da empresa e fazer o profissional avaliar todos eles, contribuirá para que ele não desista na última hora”, complementa Zanol. 

Outro ponto percebido pelos especialistas da Foursales é que algumas empresas desejam atrair os melhores talentos, mas ainda conduzem seus processos seletivos de forma excessivamente tradicional e engessada em alguns aspectos. Por exemplo, muitas empresas ainda se ofendem com a solicitação de uma contraproposta de um candidato talentoso, e com isso colocam tudo a perder quando o processo seletivo está praticamente resolvido. “A Foursales, como é especialista em R&S na área de vendas e marketing, está muito acostumada a tratar com profissionais que têm a negociação como uma habilidade essencial, comum em seu cotidiano. Se as empresas não estiverem preparadas para escutar uma contraproposta, e seus protagonistas do processo seletivo não possuírem habilidades de negociação, as empresas continuarão perdendo os talentos. Em muitas situações, atrair um profissional diferenciado e que aportará valor na sua empresa, assemelha-se a fazer uma venda, exige negociação, argumentação, troca de propostas e conversa.”, esclarece Spiandorello. 

Recrutamento e seleção não é uma disciplina exata, ou seja, não existe uma fórmula que sempre funcionará. No entanto, ter uma equipe treinada e orientada para executar certamente diminuirá as desistências dos candidatos no momento final do processo. Confira algumas dicas pontuais:

  • Construir um relacionamento interpessoal genuíno com os candidatos durante todo o processo;
  • Discutir a carreira do candidato juntamente com ele durante o processo seletivo;
  • Deixar o candidato perguntar e tirar dúvidas. Ambos os lados precisam falar; 
  • Não focar apenas em fechar a vaga, mas também em compreender se a oportunidade de fato é coerente para a carreira do candidato; 
  • Deixar as regras do jogo muito claras desde o começo (modelo de trabalho, regime de contratação CLT-PJ,…);
  • Reforçar temas críticos em todas as interfaces e de forma frontal, sem receios;
  • Estabelecer um processo com começo, meio e fim, cumprindo as etapas rigorosamente nas datas acordadas, sem deixar “gaps de tempo” entre uma etapa e outra e os candidatos sem feedback; 
  • Estar preparado para negociar quando tudo parece resolvido, a negociação é uma etapa do processo, é preciso estar treinado para executá-la; 

Todos os detalhes devem ser muito bem trabalhados, quando mais falhas forem as execuções das atividades mencionadas acima, maior a chance de haver uma desistência no final. 

A desistência não acontece na hora da proposta, ela é uma soma de fatores que, se ignorados, se manifestarão na hora da proposta, que é quando, de fato, o candidato decide parar para pensar com seriedade máxima sobre a vaga. Ou seja, para evitar a desistência nessa hora, o melhor que o recrutador pode fazer é ele assumir o papel de provocar essas reflexões no candidato durante o processo. 

A Foursales, empresa do grupo The Foursales Company, é uma consultoria de Recrutamento e Seleção especialista em posições de vendas e marketing. Se a sua empresa está precisando buscar as pessoas certas para transformar o seu negócio, entre em contato conosco que estamos preparados para ajudar. 

Foursales
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