Arquétipos: o que são, e como aplicá-los nas empresas?

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Na 50ª edição do nosso podcast semanal, Gestão de Pessoas, recebemos Danielle Corgozinho, Diretora de Pessoas, Planejamento e Projetos da Livelo. Durante o programa, discutimos o uso de arquétipos para construir e entender a cultura organizacional.

Inspirados por essa conversa, trazemos neste artigo um breve histórico dos conceitos de arquétipos e como essa teoria pode ser aplicada nas empresas. Assista ao episódio completo no nosso canal do YouTube, clicando aqui.

O que são arquétipos?

Arquétipos são modelos ou padrões universais usados para representar ideias ou comportamentos humanos. Na filosofia platônica, são as representações originais de todas as coisas, nascidas à partir das ideias, estado original de toda a criação e representação física.

O psiquiatra suíço Carl Jung, fundador da chamada psicologia analítica, acreditava que os arquétipos platônicos se tratavam de ideias metafísicas, das quais a realidade seria somente uma cópia desses modelos ideais. Ele deduz e define em sua teoria que os arquétipos são elementos fundamentais do inconsciente, transmitidos e replicados através dos milênios, e por causa dessa réplica, possuem sempre a necessidade de serem reinterpretados com o passar do tempo.

Além disso, Jung traz em sua teoria quatro principais arquétipos, ou imagens primordiais. O psiquiatra acredita que a mente humana traz no inconsciente coletivo o entendimento dessas figuras:

  • Persona (relação entre um ser e a sociedade);
  • Anima/Animus (o lado oposto da sexualidade de um indivíduo);
  • Sombra (conteúdos subconscientes não acessados pelo consciente);
  • Si-mesmo (a unificação do consciente e do inconsciente).

Posteriormente, com base na teoria de Jung, a autora estadunidense Carol Pearson criou novas teorias e modelos com escopos de fácil aplicação prática, desdobrados para organizações, branding e marketing.

Como o conceito de arquétipos pode ser aplicado nas empresas?

Primeiramente, os arquétipos representam essências ou ideias fundamentais que moldam a realidade, a cultura e os comportamentos nas empresas.

Sendo assim, Carol Pearson criou um modelo que categoriza doze arquétipos básicos, conhecido como A Jornada do Herói. Esses arquétipos ajudam na análise de potencialidades e no autoconhecimento, tanto individual quanto organizacional.

Os 12 arquétipos de Pearson

De acordo com o site da autora, o sistema dos 12 arquétipos é uma organização de ideias criada com o objetivo de explicar conceitos abstratos de forma tangível, auxiliando indivíduos na busca pelo autoconhecimento, na análise de potencialidades e a descobrir o que acontece dentro das organizações e com as pessoas que as compõem.

Como resultado, estes arquétipos, segundo Pearson, motivam o desenvolvimento a evolução humana. São eles:

1. Idealista

Antigamente conhecido como “o inocente”, o idealista é o perfil motivado principalmente por suas crenças, motivações e ideais, e situações ou oportunidades que colocam esses valores à prova. Manifesta com naturalidade o otimismo, perseverança e forte esperança para alcançar seus objetivos e moldar a realidade.

Dessa forma, empresas com esse perfil são aquelas que buscam resolver problemáticas reais, ignorar as dificuldades e focam em seus valores e ideais como farol para a prosperidade.

2. Realista

Em segundo lugar, o realista é um perfil movido por prever e resolver problemas, buscar soluções práticas baseadas em fatos e elementos tangíveis, trabalho em grupo para alcançar objetivos comuns. Altamente genuíno, empático e resiliente; geralmente é um excelente motivador e facilitador. É visto como alguém competente, agregador e bem-sucedido.

Assim sendo, as organizações realistas são aquelas que buscam trabalhar por um “bem comum”, focando em gerar valor através da humanidade; nutrem internamente um senso de afinidade, colaboração e dedicação entre seus colaboradores.

3. Guerreiro

Já o guerreiro é altamente competitivo, motivado por desafios e oportunidades de triunfar sobre adversidades. Ele busca ser o campeão e motivar as outras pessoas a serem mais resilientes e correrem atrás de seus sonhos e objetivos.

Portanto, empresas com este arquétipo são aquelas focadas em produzir resultados consistentes, gerar resultados e criar equipes com ênfase em performance e metas.

4. Cuidador

O perfil do cuidador, por sua vez, é aquele motivado por oferecer cuidados e experiências positivas que façam a diferença na vida de outras pessoas. Possui um senso inato de dedicação, carinho e atenção às necessidades dos outros.

Como resultado, organizações com esse perfil são aquelas cujo foco principal é entregar serviços, cuidados e de alguma forma agregar ou engrandecer a experiência da humanidade.

5. Explorador

Do mesmo modo, o explorador se motiva a buscar novas experiências e conhecer outras perspectivas da vida. Procura desbravar novos territórios e motivar os outros a enxergar a vida de outros pontos de vista.

Sendo assim, empresas construídas com esse arquétipo são criadoras de tendências e motivam seus colaboradores a sempre buscarem desenvolvimento e o aprendizado.

6. Amante

O amante é movido, principalmente, pela criação de relacionamentos e vínculos. Traz em sua essência a paixão, o comprometimento e a capacidade de inspirar pessoas a acreditar em seus potenciais.

Dessa forma, organizações que se encaixam neste arquétipo costumam focar no relacionamento harmônico entre colaboradores e clientes, com o objetivo de entregar experiências engajadoras, colaborativas e que enriqueçam a qualidade de vida dentro e fora do ambiente de trabalho.

7. Revolucionário

O arquétipo revolucionário é aquele movido pela mudança, inovação e disrupção. São naturalmente pensadores “fora da caixa”, que reinventam processos e buscam romper com tradicionalismos.

Desse modo, empresas revolucionárias geralmente desenvolvem ideias, serviços ou produtos altamente disruptivos e inovadores. Tendem a ser não conformistas com padrões e técnicas consagrados, e desenvolvem equipes de alta performance.

8. Criador

O criador se motiva pela realização de novas ideias. Possui um perfil altamente expressivo, criativo, original e inventivo. Ele busca oportunidades que permitam que ele se expresse e tire ideias do papel.

Por isso, organizações criadoras costumam entregar soluções criativas diferentes do comum, de modo a trazer experiências diferentes para usuários, clientes e colaboradores.

9. Sábio

O perfil do sábio busca encontrar respostas para grandes questionamentos. Ele apresenta uma personalidade naturalmente reflexiva, ponderada e curiosa, e está sempre em busca da verdade e do conhecimento.

Por conseguinte, empresas sábias costumam desenvolver e entregar expertise. Elas focam na análise de dados, na apresentação de fatos e na entrega de valor baseado na utilidade real do produto ou serviço.

10. Bobo

O arquétipo do bobo simboliza a inteligência e o bom humor. Afinal, se trata de um perfil que busca constantemente a espontaneidade, clima leve e descontraído, e motiva as pessoas a buscarem a alegria nas situações.

Por isso, organizações com esse perfil são aquelas que prezam pela diversão e descontração no processo de alcançar seus objetivos. Procuram perfis criativos, que pensam fora da caixa e conseguem contornar problemas com grande engenhosidade.

11. Mago

Esse arquétipo é definido como um visionário, que busca sempre acreditar que tudo é possível, e motiva as pessoas com ideias extraordinárias. Em tempos conturbados, de mudanças culturais extremas, costuma-se ver o Mago sendo bem-sucedido.

Então, empresas com o arquétipo do mago buscam impulsionar ou motivar mudanças, empoderando as pessoas com soluções flexíveis e adaptáveis que trazem um bem comum.

12. Governante

Por último, o governante se manifesta através da liderança. Utiliza sua influência para resolver problemas, assumir o controle das situações e a liderança sobre times e equipes. Possui uma personalidade carismática, competente e agregadora, motivando as pessoas a alcançarem padrões elevados e a excelência.

Como resultado, organizações com esse perfil são aquelas que buscam trazer ordem ao caos, gerindo conflitos e situações, e causando mudança através da influência.

Conclusão

Em suma, existem muitas maneiras de entender a experiência humana e organizacional. Não existem regras fixas quando o assunto é cultura, desenvolvimento humano e aspectos íntimos do psicológico.

Então, o uso e interpretação desses aspectos é bastante amplo e subjetivo, e o modelo de arquétipos apresentado por Carol Pearson, com base na teoria de Jung, é uma ferramenta interessante para compreender, de forma simbólica, os perfis comportamentais de indivíduos e a cultura de uma organização.

Por fim, quer saber como a Livelo utilizou esse modelo para compreender sua cultura organizacional?

Assista a edição do Gestão de Pessoas na íntegra com a Danielle Corgozinho, Diretora de Pessoas, Planejamento e Projetos da Livelo, acessando este link.

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